ATRIBUTOS DO TREINADOR

(Ao abrigo da Lei 40/2012 de 28 de Agosto, Exercício da Actividade de Treinador)

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Competências e Qualidades 

O Treinador deverá ser, para além de qualitativamente e técnicamente competente (Mestre), um amigo em quem se confia e que se escuta com respeito.
É-lhe inerente a conquista pela insinuação, o exemplo e a conduta pessoal, a disciplina voluntária, a pronta obediência, e a acção de colaboração leal, espontânea e participativa dos seus atletas.
A paciência, serenidade, e auto-domínio do treinador são indispensáveis, por forma a segurar um clima estável de tranquilidade, quer nos treinos quer nas competições, e por acréscimo, na relação com árbitros, dirigentes, público e pais, sem confundir a verdade e a defesa dos seus objectivos de uma forma educada, objectiva, convicta e firme.
No acréscimo a estes atributos, se demonstrar a sua forte personalidade, persistência e firmeza das suas decisões, aumenta enormemente as possibilidades de manter intacto o seu prestígio e a sua autoridade de que deverá revestir a sua função.
A observação das capacidades de reacção e debilidades das equipas e atletas que dirige e orienta e dos adversários, são um pressuposto fundamental na aplicação de terapêuticas eficazes.
O conhecimento técnico, físico, atlético, didáctico e pedagógico são aspectos fundamentais da sua actuação, não esquecendo que deverá ser mestre e amigo, psicólogo e agente educativo, diplomata e conductor de homens, juíz e réu, técnico, táctico e estratega, mas acima de tudo um investigador activo de novas soluções, para além, da exigência, do civismo e da correcção que a sua função lhe impõe.
O que não significa que aceite qualquer crítica infundada e incompetente, formulada por quem não tem competência técnica para ajuizar o seu trabalho.
A ponderação da resposta é o aspecto mais importante para isolar e calar quem fala por falar, sem fundamentos e/ou, sem conhecimentos.
Resumindo, o Treinador tem que ser: amigo e mestre; agente educativo e psicólogo; condutor de atletas e diplomata; réu e juíz; técnico, táctico e estratega.

Apresentação

As obrigações comuns ao Treinador, marginalmente à sua função como Técnico e Pedagogo, obrigam a uma apresentação no local da acção compatível com o estatuto que possui, e por isso, um princípio importante que o caracteriza como Técnico e Mestre.
O uso de vestuário sóbrio e adequado, de preferência fato de treino (com ou sem casaco), sapato de ténis ou patins, de onde não esteja ausente a sobriedade, o conforto e o asseio.
O cumprimento deste princípio inerente função que desempenha, evidencia a noção de respeito que deve a si próprio, e valoriza-se no conceito dos dirigentes, atletas, pais e público em geral, e oferece um exemplo digno de ser continuado e seguido pelos seus atletas.

Técnica e Prática de Ensino

A comunicação simples, fácil, clara e fluente, a exemplificação e a capacidade de organização são elementos preciosos na transmissão da técnica e seu ensino.
Primeiramente porque permite uma maior facilidade à receptividade dos ensinamentos e em segundo lugar porque se torna imprescindível no planeamento dos treinos.
A receptividade e a capacidade de aprendizagem são normalmente afectados quer pela disponibilidade e estado de fadiga do atleta e/ou, à forma simples e atractiva como se explica e ensina um conceito.
O fenómeno psíquico e físico são condicionantes que o treinador deve atender e por tal facto novas práticas, técnicas e princípios devem ser sempre no início do treino, período em que normalmente os atletas estão de posse de todas as suas faculdades intelectuais e psíquicas.
Em treinos mais intensos, é aconselhável, períodos de repouso e recuperação com exercícios apropriados para o efeito.
Outro aspecto de primordial importância, na prática de exercícios técnicos é a sua variedade e inovação de treino para treino, bem como, o tempo da execução repetitiva, factores que eliminam a monotonia e as atitudes de enfadonho ou o anti-treino, estimulando assim, e em seu lugar, o interesse, o entusiasmo e o brio, elevando deste modo, exponencialmente, o bom aproveitamento e o desenvolvimento do atleta.
Aliás, a variedade de treino para treino (note-se que é possível realizar os mesmos objectivos com exercícios diferentes ou modificados), permite uma motivação acrescida do atleta de sessão de treino para sessão de treino, o que contribui para a entrega dos atletas ao seu trabalho e cria uma sensação de prazer acerca do que fazem.
Aspecto não menos relevante é a contínua monitorização, por parte do Treinador, ao trabalho de cada atleta, corrigindo quando for caso disso e enaltecendo sempre que o trabalho realizado estiver correcto.
Esta atitude do “elogio” é particularmente importante uma vez que qualquer atleta se sente mais estimulado quando obtém uma palavra de agrado do seu Treinador.

Disciplina

É comum afirmar-se que cito, “…os filhos reflectem a educação ministrada pelos Pais…” ou que “…os alunos são os seguidores dos seus Mestres…”, mas não devemos esquecer que quer uns ou outros têm a preocupação e a ambição que os filhos ou os alunos os superem.
A regra mostra que os atletas reflectem a imagem de quem os orienta e treina.
Assim, será pelo exemplo e pela palavra que Treinador tem de demonstrar aos seus atletas que comunga das boas práticas da ética desportiva.
O verdadeiro espírito do companheirismo, da sã amizade, da correcção, da lealdade e do respeito por todos (Público, Dirigentes, Pais, Atletas, Árbitros) incluindo dos adversários, deverá ser a preocupação sistemática do Treinador que deverá desenvolver com os seus atletas, isto é, a Disciplina.

 

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